sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Legião Urbana - Dois





 DOIS
O sucesso do primeiro trabalho criou uma expectativa abissal em torno de Dois, segundo álbum da Legião Urbana, o fato é que nem mesmos os críticos especializados poderiam imaginar que este se tornaria um dos mais importantes discos da música brasileira, ultrapassando trabalhos intrínsecos de grandes artistas como Gil e Caetano.  Superando a marca de um milhão de cópias, Dois (que a contragosto de Renato não saiu duplo e intitulado Mitologia e Intuição), contém Eduardo e Mônica, uma das clássicas canções da época do artista ainda Trovador Solitário.O disco inicia com uma colagem de Será, seguida de uma metáfora irônica na explicitamente sexual: Daniel na cova dos leões. Quase sem querer tornou-se um dos hinos jovens da época, outras canções de muito sucesso como Andrea Doria, (referência a um navio italiano, de mesmo nome que naufragou em 25 de julho de 1956 quando seguia para Nova York), Tempo Perdido, Fábrica e Índios (esta ultima uma das mais conscientes e intensas composições de Renato Russo). Curiosamente à partir deste trabalho as letras elaboradas e sinceras desencadeariam uma súbita religiosidade que veio a confirmar-se após o lançamento do álbum "As Quatro Estações" do qual falarei nas próximas postagens.

A criação, segundo o criador:
               "Este disco tem um fio condutor, uma ideia central. Agente, que se liga muito no rock, sabe que os grandes discos são uma ideia. Você pega Sgt. Pepper's, dos Beatles, o primeiro dos Sex Pistols - são uma ideia, um conjunto. Neste disco, em vez de falar mal das pessoas que poluem os mares ou das guerras, a gente prefere falar do universal, da experiência individual. Todo mundo respira, todo mundo sonha, todo mundo é confuso sexualmente, até certo ponto, todo mundo tem medo da morte. Então a gente quer falar disso: do ponto em comum que une todas as pessoas."

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